A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento atende uma população que envelhece em ritmo acelerado, o que muda a forma como o saneamento básico deve ser tratado nas próximas décadas. A expectativa de vida ao nascer no Brasil subiu de 71,1 anos em 2000 para 76,4 anos em 2023, e deve chegar a quase 84 anos em 2070, segundo projeções do IBGE.
Fatores como a melhora nas condições de nutrição e saneamento básico, a ampliação do acesso a serviços de saúde e medicamentos e os avanços da medicina explicam boa parte desse ganho de longevidade observado nas últimas décadas no país.
A participação de idosos na população total brasileira deve passar de 10% para 20% em um período muito mais curto do que o observado em países desenvolvidos, o que significa que o país precisa se adaptar rapidamente a uma estrutura demográfica bem diferente da que tinha há poucas décadas.
Brasil envelhece mais rápido do que países desenvolvidos
Estimativas indicam que, por volta de 2060, mais de um quarto da população brasileira terá 60 anos ou mais, mudança que impacta diretamente a demanda por serviços de saúde, previdência e também infraestrutura básica, incluindo água tratada e coleta de esgoto.
Esse ritmo acelerado de envelhecimento deixa menos tempo para que o país reorganize políticas públicas e infraestrutura em torno das necessidades específicas da população mais velha, diferente do que ocorreu em países que envelheceram de forma mais gradual ao longo de várias gerações.
Para quem estuda saúde pública, incluindo a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, empresa especializada em soluções para saneamento básico, a população idosa tende a sofrer consequências mais graves da falta de acesso a água tratada e esgoto do que outros grupos etários, já que o envelhecimento natural compromete parte da resposta imunológica do corpo.
Por que idosos são mais vulneráveis a doenças ligadas ao saneamento?
O processo natural de envelhecimento reduz a capacidade do sistema imunológico de combater infecções, tornando os idosos mais suscetíveis a complicações decorrentes de doenças de veiculação hídrica. Além disso, condições crônicas comuns nessa faixa etária, como diabetes e doenças cardiovasculares, tendem a se agravar diante de infecções que poderiam ser evitadas com saneamento adequado.
A probabilidade de multimorbidade, definida como o diagnóstico de duas ou mais doenças crônicas na mesma pessoa, é significativamente maior entre pessoas de meia-idade em diante, o que amplia o risco de complicações quando uma infecção evitável, ligada à falta de saneamento, se soma a essas condições preexistentes.
Prestadoras de serviço, entre elas a EBS, começam a considerar o perfil etário da população atendida como parte do planejamento de investimentos em saneamento básico, e não apenas como uma variável demográfica secundária.

Números que mostram o peso da falta de saneamento na terceira idade
Levantamentos baseados em dados do sistema público de saúde apontaram mais de 344 mil internações relacionadas a doenças causadas por saneamento ambiental inadequado em um único ano recente, das quais mais de 80 mil ocorreram entre pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a quase um quarto do total de casos.
O cenário se torna ainda mais grave ao analisar os óbitos associados a esse tipo de doença. Entre as mortes registradas por causas relacionadas ao saneamento ambiental inadequado no mesmo período, mais de três em cada quatro vitimaram pessoas com 60 anos ou mais, evidenciando o quanto a falta de infraestrutura básica pesa de forma desproporcional sobre a população idosa.
Planejar o saneamento pensando na população que envelhece
Estudos econômicos estimam que a melhoria das condições de saúde ligada à universalização do saneamento básico pode gerar dezenas de bilhões de reais em economia para o país ao longo de duas décadas, considerando a redução de custos com internações e tratamentos evitáveis, especialmente entre a população mais velha.
Esse tipo de economia tende a se refletir tanto no sistema público de saúde quanto nas famílias responsáveis pelo cuidado de idosos, que muitas vezes precisam se ausentar do trabalho ou reorganizar a rotina para acompanhar tratamentos decorrentes de doenças que poderiam ter sido evitadas com infraestrutura básica adequada.
Na leitura de especialistas em envelhecimento populacional, caso de profissionais próximos à EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, investir em saneamento básico hoje significa reduzir a pressão futura sobre o sistema de saúde voltado a uma população cada vez mais idosa, aliviando parte da demanda que hoje recai sobre hospitais e unidades de pronto atendimento.
Adaptar políticas de saneamento básico ao envelhecimento populacional também pode envolver atenção especial a regiões com maior concentração de idosos, priorizando obras de expansão e manutenção de redes nessas áreas antes que problemas de saúde se tornem mais frequentes.
Preparar o país para uma população mais velha deve incluir, necessariamente, a expansão do acesso a água tratada e coleta de esgoto nas próximas décadas. Empresas do setor, entre elas a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, tendem a incorporar essa transição demográfica ao planejamento de longo prazo do setor de saneamento básico, ao lado de outras políticas voltadas à população idosa.


