Como empresário e especialista em soluções ambientais, Marcello José Abbud pontua que, em dados confiáveis, não existe política pública eficaz. Essa premissa é especialmente verdadeira na gestão de resíduos sólidos urbanos, setor que por décadas operou no Brasil com informações fragmentadas, autodeclaradas e de difícil comparação entre municípios. O IBGE desempenha papel central na construção de um panorama mais preciso sobre a geração, coleta e destinação de RSU no país, por meio de pesquisas periódicas que mapeiam a realidade municipal com abrangência nacional.
A qualidade dos dados disponíveis sobre gestão de resíduos no Brasil melhorou consideravelmente, mas ainda apresenta lacunas que comprometem o planejamento de políticas e o dimensionamento de investimentos em usinas de tratamento de resíduos e soluções de valorização de RSU.
Leia e entenda como a informação transforma a gestão de resíduos!
Quais instrumentos o IBGE usa para medir a gestão de resíduos no Brasil?
O IBGE utiliza principalmente dois instrumentos para mapear a gestão de resíduos sólidos urbanos nos municípios brasileiros. O primeiro é a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realizada periodicamente, que levanta informações sobre coleta, tratamento e destinação final de RSU em todos os municípios do país. O segundo é a Pesquisa de Informações Básicas Municipais, conhecida como MUNIC, que investiga as estruturas de gestão pública local, incluindo a existência de órgãos responsáveis pelo manejo de resíduos, planos municipais e políticas ambientais.
Juntas, essas pesquisas formam a base estatística mais abrangente disponível sobre a situação da gestão de RSU no território nacional. Na avaliação de Marcello José Abbud, diretor da Ecodust Ambiental, esses instrumentos têm valor inestimável para o planejamento setorial, pois permitem identificar padrões regionais, comparar o desempenho de municípios de porte semelhante e rastrear a evolução dos indicadores ao longo do tempo.

O que os dados do IBGE revelam sobre a destinação de RSU nos municípios brasileiros?
Os dados coletados pelo IBGE confirmam e quantificam o que a observação empírica do setor já indicava: a gestão de resíduos sólidos urbanos no Brasil é profundamente desigual por porte populacional, região e capacidade fiscal dos municípios. Entre os achados mais relevantes das pesquisas recentes, destaca-se o fato de que municípios com menos de 20.000 habitantes concentram a maior parte dos lixões ainda ativos no país, que a coleta seletiva formal ainda cobre menos de 30% dos municípios brasileiros e que a disposição em aterros sanitários licenciados, embora crescente, ainda convive com percentuais expressivos de destinação inadequada em todas as regiões. Como observa Marcello José Abbud, esses números não são apenas estatísticas, eles são retratos de passivo ambiental acumulado, de saúde pública comprometida e de oportunidades perdidas de valorização de resíduos.
Quais são as limitações dos dados disponíveis sobre resíduos sólidos urbanos?
Como sugere Marcello José Abbud, as pesquisas do IBGE sobre gestão de resíduos sólidos urbanos (RSU) são relevantes, mas apresentam limitações que devem ser reconhecidas para garantir o uso responsável dos dados. A periodicidade das edições da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) pode ultrapassar uma década, resultando em desatualizações em um setor que evolui rapidamente.
Além disso, a autodeclaração municipal gera imprecisões, pois muitas informações são fornecidas sem verificação independente, o que pode levar à subdeclaração de problemas. Outras limitações incluem a falta de dados sobre tecnologias avançadas, que não são adequadamente capturadas nas categorias de destinação, e a dificuldade de comparação histórica devido a mudanças metodológicas.
Dados do IBGE revelam desafios e oportunidades na gestão de resíduos sólidos urbanos (RSU)
A mensuração da geração e destinação de resíduos sólidos urbanos realizada pelo IBGE é um insumo fundamental para que políticas públicas, investimentos privados e estratégias municipais sejam formulados com base na realidade, e não em suposições. Como conclui Marcello José Abbud, um empresário com atuação voltada à sustentabilidade e valorização de resíduos, aprimorar a qualidade, a frequência e a abrangência desses dados é tão importante quanto construir novas usinas de tratamento de resíduos, já que, sem informação precisa, os recursos chegam no lugar errado, na hora errada e com resultados abaixo do potencial que o Brasil tem para transformar sua gestão de RSU.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez


