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No Alentejo, sobreiros sustentam uma tradição que ajuda Portugal a liderar a produção mundial de cortiça, e Antonella Giancoli explica por que a Benarrivati inclui o montado nos roteiros pelo país

Vera Moravina
Vera Moravina 19/10/2026
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Antonella Amaral Giancoli
Antonella Amaral Giancoli
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Extraída manualmente por profissionais especializados, a cortiça só pode voltar a ser retirada da mesma árvore depois de pelo menos nove anos. O ciclo ajuda a explicar a relação entre produção, paisagem e conservação no interior português

Contents
Uma árvore que precisa de décadas antes da primeira extraçãoUm trabalho que depende da experiência de quem retira a cortiçaUma paisagem que combina produção e biodiversidadeUm ciclo agrícola medido em geraçõesSobre a Benarrivati

No Alentejo, sobreiros se espalham por extensas áreas de montado, sistema agrossilvopastoril em que árvores, pastagens, agricultura e criação de animais podem dividir o mesmo território. É uma das paisagens mais características do interior português e está diretamente ligada à posição de Portugal como maior produtor mundial de cortiça. (visitportugal.com)

A matéria-prima não exige o corte da árvore. O que se retira é sua casca externa, em um processo chamado descortiçamento, realizado por profissionais especializados com o auxílio de machados próprios. Antonella Giancoli, da Benarrivati, inclui essa tradição nos roteiros pelo Alentejo porque o processo permite observar como um produto conhecido mundialmente começa em um ciclo agrícola que pode atravessar várias gerações.

Uma árvore que precisa de décadas antes da primeira extração

O primeiro descortiçamento só pode acontecer quando o tronco do sobreiro atinge pelo menos 70 centímetros de perímetro, medidos a 1,30 metro do solo. Em condições normais, isso ocorre por volta dos 25 anos de idade. (apcor.pt)

Essa primeira cortiça, conhecida como cortiça virgem, ainda não apresenta as características necessárias para a fabricação das rolhas naturais de melhor qualidade. Nove anos depois ocorre a segunda extração e somente a partir do terceiro descortiçamento, cerca de 18 anos após o primeiro, a árvore começa a fornecer a chamada cortiça amadia, com estrutura mais regular e adequada à produção de rolhas. (apcor.pt)

A legislação portuguesa determina que a mesma árvore nunca seja descortiçada em intervalos inferiores a nove anos. Quando bem manejado, um sobreiro pode continuar fornecendo cortiça durante cerca de dois séculos.

Um trabalho que depende da experiência de quem retira a cortiça

O descortiçamento acontece durante a fase de maior crescimento da cortiça, normalmente entre o fim da primavera e o verão. O trabalho exige experiência porque o objetivo é separar a casca sem atingir os tecidos vivos responsáveis pela regeneração da árvore.

Os descortiçadores fazem cortes precisos e utilizam o próprio machado para desprender grandes pranchas de cortiça do tronco. A habilidade está justamente em perceber até onde a ferramenta pode avançar sem causar danos ao sobreiro. (apcor.pt)

Para Antonella, acompanhar esse processo, quando a época da viagem coincide com a temporada e a propriedade recebe visitantes, acrescenta outra dimensão à passagem pelo interior português.

“A cortiça parece um material muito simples quando aparece pronta em uma rolha ou em um objeto, mas no montado você percebe que existe um ciclo de décadas por trás dela. Entender que a árvore não é derrubada, que existe uma época certa para retirar a casca e que depois é preciso esperar nove anos muda completamente a maneira de olhar para esse produto”, explica Antonella Giancoli.

Uma paisagem que combina produção e biodiversidade

O montado não funciona apenas como área de produção de cortiça. Trata-se de um ecossistema manejado pelo homem no qual o espaçamento entre sobreiros permite a presença de pastagens, arbustos e outras atividades rurais.

Essa estrutura também cria habitats para diferentes espécies de fauna e flora. Estudos e materiais de divulgação ambiental portugueses destacam o papel dos montados na conservação da biodiversidade e na prestação de serviços ambientais, ao mesmo tempo em que permanecem economicamente produtivos. (apcor.pt)

A longevidade dos sobreiros reforça essa continuidade. Algumas árvores permanecem produtivas por muitas décadas, fazendo com que decisões tomadas por uma geração tenham impacto direto sobre aquelas que virão depois.

Um ciclo agrícola medido em gerações

A cortiça extraída segue depois para diferentes etapas de preparação e transformação. Dependendo da qualidade e da colheita, pode se tornar rolha, revestimento, isolamento, material de design ou produto utilizado em diferentes setores industriais.

Nos roteiros da Benarrivati, Antonella Giancoli trata a visita ao montado como uma maneira de aproximar esse produto da paisagem onde ele começa. Entre sobreiros, descortiçamento e longos intervalos de regeneração, o Alentejo mostra uma forma de produção em que o tempo não é medido por uma única safra, mas por ciclos que acompanham a própria vida das árvores.

Sobre a Benarrivati

Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.

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