Com Fátima Bezerra de saída do Executivo e a oposição em articulação, a corrida eleitoral potiguar promete ser a mais disputada em anos.
A menos de quatro meses das eleições de outubro, o Rio Grande do Norte vive um dos momentos políticos mais movimentados de sua história recente. A saída anunciada da governadora Fátima Bezerra (PT) do Executivo estadual para concorrer ao Senado abriu uma disputa que envolve nomes de diferentes espectros partidários e reconfigurou alianças que pareciam consolidadas. Quem vai governar o Rio Grande do Norte a partir de 2027? Essa é a pergunta que domina rodas de conversa em Natal, Mossoró e nos municípios do interior, e a resposta ainda não tem um favorito claro.
O cenário é de indefinições, mas os contornos já começam a se desenhar. Pela base governista, o secretário da Fazenda Cadu Xavier (PT) figura como pré-candidato ao governo, sustentado pela federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV, além do PSB e, possivelmente, o PDT. Seria também sua estreia em uma disputa eleitoral, o que adiciona um elemento de imprevisibilidade à campanha. Defato
Do lado da oposição, dois nomes se destacam com perfis bem distintos. Allyson Bezerra, prefeito de Mossoró reeleito em 2024 com 78,02% dos votos, disputará o Governo do RN numa posição entre a esquerda e a direita. Com forte presença digital e capilaridade por meio do União Brasil, ele é visto como o nome mais competitivo fora do campo petista. Já Álvaro Dias, ex-prefeito de Natal e ex-deputado estadual e federal, representará a direita e o centro-direita nas eleições, contando com o apoio do prefeito de Natal, Paulinho Freire. DefatoDefato
O que explica a movimentação antecipada no RN?
A intensidade das articulações tem uma explicação direta: o Rio Grande do Norte terá uma eleição dupla especialmente competitiva. Além do governo estadual, duas vagas no Senado estarão em disputa. Para as vagas no Senado, os nomes mais mencionados são Styvenson Valentim, Zenaide Maia e a própria governadora Fátima Bezerra, além de Carlos Eduardo, Álvaro Dias e o deputado estadual Ezequiel Ferreira de Souza. Tribuna do Norte
O vice-governador Walter Alves (MDB) e a governadora assinaram nota conjunta informando que aguardarão um direcionamento nacional dos respectivos partidos antes de tomar uma decisão definitiva sobre a aliança para 2026. Essa postura cautelosa por parte do governo reflete a complexidade das negociações em um estado onde as coligações tradicionais foram sacudidas pelo reposicionamento de vários líderes regionais. Saiba Mais
A oposição, por sua vez, enfrenta o desafio de unir forças que historicamente competem entre si. Allyson Bezerra se apoia na estratégia online e na capilaridade do União Brasil para chegar até o Centro Administrativo estadual, e conta com mais de 344 mil seguidores no Instagram, mais de quatro vezes o número de seguidores do prefeito de Natal. Essa presença digital traduz votos na urna? É o que a campanha vai testar. Saiba Mais
O que o eleitor potiguar pode esperar dos próximos meses?
Nos próximos meses, o estado deve assistir à formalização das candidaturas, às convenções partidárias e ao início oficial das campanhas. O eleitor potiguar tem pela frente uma escolha que vai além de nomes: envolve projetos distintos para áreas sensíveis como segurança pública, infraestrutura hídrica, saúde e educação.
A governadora Fátima Bezerra conclui o mandato destacando avanços como a redução dos índices de violência, o prosseguimento da duplicação da BR-304, cerca de 1.400 km de estradas estaduais recuperadas e novos concursos públicos. Esse será o legado que o candidato situacionista terá de defender, ao mesmo tempo em que a oposição tentará apresentar alternativas convincentes para os eleitores insatisfeitos. Saiba Mais
O Rio Grande do Norte entra em 2026 com um tabuleiro político mais aberto do que em eleições anteriores. Com candidatos em diferentes estágios de consolidação e alianças ainda em formação, a disputa promete mobilizar o eleitorado potiguar de uma forma que há muito não se via. Para quem acompanha a política do estado, os próximos meses serão de atenção redobrada.
Fontes: Defato | Saiba Mais | Tribuna do Norte
Autor: Diego Rodríguez Velázquez


