Com 368 parques eólicos em operação e bilhões em novos investimentos, o RN consolida sua posição como potência energética do país.
Quando o vento sopra nos tabuleiros e caatingas do Rio Grande do Norte, ele não move apenas as pás das turbinas espalhadas pelo interior do estado. Ele movimenta uma economia inteira, gera empregos, atrai investidores e reposiciona o estado no mapa energético do Brasil. Nos últimos anos, o RN deixou de ser apenas um produtor relevante de energia limpa para se tornar o maior receptor de recursos do setor no Nordeste, concentrando bilhões de reais em novos projetos que vão muito além dos tradicionais parques eólicos.
Os dados mais recentes revelam a dimensão desse protagonismo. De acordo com informações da ANEEL correspondentes a 2026, o Rio Grande do Norte responde por 30,7% da potência eólica instalada no Nordeste, com 368 parques em operação. O estado perde apenas para a Bahia em capacidade total instalada, mas lidera em outro indicador que diz muito sobre seu futuro: a captação de recursos públicos para novos empreendimentos. Revista Fórum
Energia eólica e solar concentraram R$ 7,6 bilhões dos R$ 19,6 bilhões em investimentos incentivados pela Sudene em 2025, sendo o Rio Grande do Norte o estado que mais recebeu recursos, com R$ 5,1 bilhões, com parques eólicos concentrados no município de Serra do Mel. O número não é apenas uma conquista presente: é o ponto de partida para uma expansão ainda mais ambiciosa. Movimento Econômico
Por que o RN atrai tantos investimentos em energia limpa?
A resposta está na geografia. O Rio Grande do Norte reúne condições naturais difíceis de encontrar em outro lugar do Brasil: ventos constantes e de boa intensidade durante praticamente o ano inteiro, alta incidência solar e um litoral que, no futuro, poderá abrigar projetos eólicos offshore. Esses fatores tornam o custo de geração competitivo e o retorno dos projetos mais previsível para os investidores.
A CPFL Energia confirmou investimento de R$ 800 milhões para instalar novos projetos fotovoltaicos no estado, combinando tecnologias solar e eólica nos mesmos sítios em municípios como Touros, João Câmara, Pedra Preta e Parazinho. Essa estratégia de projetos híbridos, que combina geração eólica e solar em um mesmo terreno, permite otimizar a infraestrutura existente e gerar energia de forma mais contínua ao longo do dia, reduzindo os períodos em que nenhuma das fontes está produzindo no máximo. Editorialge
O Rio Grande do Norte lidera a estratégia de integração de capacidade em parques existentes, o que otimiza o uso da terra, reduz custos de infraestrutura e permite geração mais constante. Essa abordagem coloca o estado à frente de outros grandes produtores na corrida por eficiência e competitividade no mercado de energia renovável. Editorialge
O hidrogênio verde como próximo capítulo
Se os parques eólicos já são uma realidade consolidada no Rio Grande do Norte, o próximo grande salto deve vir de uma fonte ainda em desenvolvimento, mas com potencial de transformar completamente a economia do estado: o hidrogênio verde. O Rio Grande do Norte projeta R$ 127 bilhões em investimentos em hidrogênio verde, incluindo US$ 20 bilhões em aportes diretos de investidores estrangeiros. Investindoporai
O hidrogênio verde é produzido a partir da eletrólise da água utilizando energia renovável, o que resulta em um combustível limpo e altamente versátil. Ele pode ser usado em indústrias pesadas, no transporte de longa distância e na exportação para países que precisam descarbonizar suas matrizes energéticas, como os países europeus. O fato de o RN já ter uma infraestrutura eólica e solar madura é um diferencial competitivo enorme nessa disputa global.
A projeção de crescimento econômico da região Nordeste entre 2026 e 2034 é de 3,1%, puxada justamente pelas fontes renováveis, com investimentos totais previstos na região podendo alcançar R$ 750 bilhões somando eólica, petróleo, aeroportos e infraestrutura. Para o Rio Grande do Norte, que historicamente estava entre os estados mais dependentes de transferências da União, esse cenário representa uma oportunidade histórica de diversificação econômica e de geração de empregos de qualidade para os potiguares. Investindoporai
Fontes: Revista Fórum | Movimento Econômico | Investindo Por Aí
Autor: Diego Rodríguez Velázquez


