O mercado de trabalho formal do Rio Grande do Norte enfrenta um dos piores momentos dos últimos anos, em contraste com o desempenho observado na maior parte do país.
O Rio Grande do Norte teve saldo positivo entre janeiro e junho de 2026, mas gerou apenas 716 vagas com carteira assinada, resultado de 122.902 admissões e 122.186 desligamentos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado, embora positivo, está muito distante do desempenho observado em anos anteriores. Corecon-rn
A magnitude da desaceleração fica evidente quando o resultado deste ano é comparado ao mesmo período do ano passado. No mesmo período de 2025, haviam sido criados 6.744 postos no estado, o que significa que o saldo do primeiro semestre caiu 89,4% em relação ao ano anterior. Esse tipo de retração expressiva coloca o Rio Grande do Norte em uma posição desconfortável no ranking nacional de geração de empregos formais. Portal N10
Como o RN se compara com o restante do Nordeste e do país
Dentro do contexto regional, o desempenho potiguar ficou entre os piores do país neste primeiro semestre de 2026. Dentro do Nordeste, o RN ficou à frente apenas de Alagoas, que encerrou o período com saldo negativo de 8.215 vagas. Esse tipo de comparação regional ajuda a contextualizar a gravidade relativa da desaceleração observada no mercado de trabalho potiguar. Portal N10
Um levantamento independente também confirma essa posição desfavorável do estado no cenário nacional mais amplo. O desempenho representa uma queda de 89,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo havia sido de 6.744 empregos, e coloca o estado com o segundo pior resultado do Nordeste e do país, à frente apenas de Alagoas. Esse contraste chama ainda mais atenção justamente porque o Brasil como um todo mantém trajetória de crescimento consistente do emprego formal ao longo de 2026. Blog Nelson Dantas
Os setores que mais sofreram no período
Analisando a distribuição setorial dos resultados, fica claro que o desempenho negativo do estado está concentrado em atividades específicas, enquanto outros setores conseguiram sustentar saldos positivos. O desempenho semestral mostra diferenças expressivas entre os setores: Serviços abriu 4.620 empregos, enquanto a Construção criou 1.174 postos e o Comércio, 588, mas esses ganhos foram praticamente anulados pelas perdas da Agropecuária e da Indústria. Portal N10
O setor industrial, em particular, sofreu uma reversão expressiva em relação ao desempenho do ano anterior. Depois de criar 2.508 vagas nos seis primeiros meses de 2025, a Indústria eliminou 1.133 postos no mesmo intervalo de 2026, uma mudança de trajetória que ajuda a explicar boa parte da fraqueza geral do mercado de trabalho potiguar neste ano. Portal N10
As explicações apontadas por especialistas locais
Segundo economistas que acompanham de perto a economia potiguar, a combinação entre juros elevados e o cenário externo desfavorável ajuda a explicar boa parte dessa desaceleração observada no estado. A comparação negativa de 2026 frente a 2025 ocorre devido a fatores como a alta dos juros e dos custos de produção, além de possíveis reflexos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras, tendo havido queda das exportações no RN de balas e pirulitos, do pescado e do sal marinho, entre outros produtos, o que causou retração dos setores da construção civil, comércio e o setor industrial. Blog Nelson Dantas
O comportamento do setor agropecuário também recebeu explicação específica por parte de entidades ligadas ao agronegócio local. O comportamento em 2026 foi agravado por fatores como custos de produção elevados, dificuldades de acesso ao crédito, efeitos das condições climáticas e maior cautela dos produtores diante das incertezas econômicas, segundo avaliação da federação da agricultura do estado sobre o recuo expressivo registrado no setor. Blog Nelson Dantas
Sinais de esperança para o segundo semestre
Apesar do cenário desafiador observado até aqui, especialistas locais apontam alguns fatores que podem contribuir para uma recuperação gradual do mercado de trabalho potiguar nos próximos meses. Segundo economista consultado, o varejo do estado está crescendo 1,4%, o turismo teve um crescimento recente expressivo, e produtos como o pescado, as castanhas de caju e o petróleo estão isentos de sobretaxas nas exportações aos Estados Unidos, fatores que podem ajudar a equilibrar parte das perdas registradas no primeiro semestre. Blog Nelson Dantas
A expectativa de recuperação também está diretamente associada ao calendário sazonal do turismo, atividade que tradicionalmente ganha força nos últimos meses do ano no litoral potiguar. O fortalecimento da atividade turística, impulsionado pelas férias, pelos eventos e pela alta estação, tende a beneficiar principalmente serviços, hospedagem, alimentação e comércio, segundo avaliação de especialistas sobre o potencial de recuperação do emprego formal no segundo semestre de 2026.
O contraste com o desempenho nacional
Enquanto o Rio Grande do Norte enfrenta essa desaceleração pontual, o Brasil como um todo mantém um ritmo de crescimento consistente na geração de vagas formais ao longo do ano. O Brasil criou 145.161 empregos formais em junho, e, embora positivo, esse foi o menor saldo para o mês desde 2020, diferentemente do resultado potiguar, com os cinco grandes setores da economia nacional fechando o mês com abertura de vagas. Corecon-rn
Esse contraste entre o desempenho estadual e o nacional reforça a importância de políticas públicas direcionadas especificamente às particularidades da economia potiguar, especialmente diante da forte dependência de setores como o agronegócio de exportação e o comércio internacional, ambos diretamente afetados pelas condições macroeconômicas e comerciais observadas ao longo de 2026.


