O Rio Grande do Norte está apostando fortemente na transformação de sua vantagem natural em energia renovável em uma plataforma de atração de investimentos tecnológicos e industriais de grande escala.
O Rio Grande do Norte tenta converter sua produção de energia renovável em uma plataforma de atração de indústrias, projetos de tecnologia e novos negócios de exportação, reunindo empreendimentos anunciados em hidrogênio e aço verdes, a candidatura para receber um supercomputador de R$ 1,8 bilhão, a regulamentação de data centers e a abertura do Porto de Natal ao embarque de animais vivos. Agora RN
A base dessa estratégia está diretamente relacionada à capacidade instalada de geração eólica que o estado já acumula, uma das maiores do país. Atualmente, o estado tem 436 empreendimentos de geração em operação, totalizando 13,1 GW de potência instalada, dos quais mais de 10 GW são provenientes da energia eólica. Esse volume expressivo de energia limpa disponível é justamente o que atrai o interesse de investidores internacionais voltados à produção de hidrogênio verde. Diário do RN
O megaprojeto de hidrogênio verde em Areia Branca
O empreendimento mais avançado dentro dessa estratégia estadual já conta com licença ambiental prévia e reúne investidores de diferentes países. O empreendimento de maior valor é o Projeto Morro Pintado, com investimento projetado em R$ 12 bilhões, que prevê produzir hidrogênio e amônia verdes a partir de fontes eólica e solar, com licença prévia concedida pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN. A escala do projeto é significativa mesmo para os padrões internacionais do setor. Agora RN
Os detalhes técnicos do empreendimento revelam a magnitude da capacidade produtiva planejada para a região. Com capacidade para 500 MW instalados na primeira fase da usina, suficiente para produzir cerca de 80 mil toneladas de hidrogênio verde por ano, o Projeto Morro Pintado abrange também a construção de um terminal portuário próprio para a exportação do insumo, contando com investimento de € 2 bilhões fruto de parceria entre empresas brasileiras e alemãs. Na fase completa, a capacidade de geração pode alcançar patamares ainda maiores. Revista Fórum
A dimensão global dos investimentos projetados
O potencial de investimentos em hidrogênio verde no Rio Grande do Norte vai muito além do projeto de Areia Branca isoladamente, alcançando cifras expressivas quando somado ao conjunto de iniciativas em desenvolvimento no estado. O Rio Grande do Norte projeta R$ 127 bilhões em investimentos em hidrogênio verde, incluindo US$ 20 bilhões em aportes diretos, consolidando o estado como um dos principais polos dessa nova cadeia produtiva dentro do cenário nacional. Investindoporai
Esse tipo de projeção bilionária está diretamente relacionado ao protagonismo do estado na geração eólica em nível nacional. O Rio Grande do Norte lidera a geração de energia eólica onshore no Brasil, ao lado da Bahia, e o hidrogênio produzido a partir dessa fonte pode variar entre US$ 1,92 e US$ 4,20 por quilo, patamares que se aproximam da competitividade com o hidrogênio de origem fóssil, especialmente na janela entre 2030 e 2035. Movimento Econômico
Os municípios estratégicos para o novo polo industrial
A escolha das localidades para receber esses empreendimentos segue critérios técnicos específicos relacionados à logística e à proximidade com a infraestrutura de geração renovável já instalada. No território, o litoral norte desponta como área estratégica para implantação dos projetos, com municípios como Mossoró, São Miguel do Gostoso e Tibau concentrando vantagens logísticas, proximidade com polos de geração renovável e disponibilidade de áreas para complexos industriais. Movimento Econômico
Segundo especialistas do setor, a combinação de fatores naturais disponíveis no litoral potiguar oferece uma vantagem competitiva difícil de replicar em outras regiões do país. O estado se beneficia da elevada produtividade dos parques eólicos onshore, da complementaridade com a geração solar e da disponibilidade de litoral, que viabiliza projetos de dessalinização, sendo que, como o custo da eletricidade pode representar até 70% do valor final do hidrogênio, essa combinação posiciona o Rio Grande do Norte de forma estratégica no cenário global. Movimento Econômico
O desafio de transformar energia em desenvolvimento industrial local
Apesar do avanço expressivo na capacidade de geração renovável, especialistas alertam que o verdadeiro desafio está em converter essa vantagem energética em desenvolvimento industrial efetivo dentro do próprio estado, e não apenas em exportação de energia bruta. Segundo o idealizador de um evento voltado ao setor, o desafio agora é utilizar a energia renovável como vetor de transformação industrial, já que o Brasil já possui uma matriz elétrica majoritariamente renovável, e o próximo passo é ampliar essa transição para a indústria, com o hidrogênio verde surgindo como elemento central desse processo. Diário do RN
Esse ponto de vista é reforçado por outros especialistas que acompanham o setor de energia e recursos naturais na região. Segundo o diretor-presidente de um centro de estratégias em recursos naturais e energia, agora o desafio é utilizar esse ativo estratégico para atrair indústrias e investimentos que consumam essa energia localmente, ao invés de apenas exportar a matéria-prima energética para outras regiões ou países processarem.
Outros projetos tecnológicos em desenvolvimento no estado
Além da aposta em hidrogênio verde, o Rio Grande do Norte também avança em outras frentes tecnológicas relevantes para a diversificação de sua economia. Entre os projetos em discussão estão a candidatura do estado para receber um supercomputador de R$ 1,8 bilhão e a regulamentação de data centers, iniciativas que ainda dependem de licenças, financiamento, decisões federais e contratos privados para avançarem. Agora RN
Segundo autoridades estaduais, essas diferentes frentes de investimento fazem parte de uma estratégia coordenada de posicionamento do Rio Grande do Norte como polo tecnológico e energético do Nordeste, aproveitando o momento favorável de transição energética global para atrair capital estrangeiro e gerar empregos qualificados dentro do próprio território potiguar, reduzindo a dependência histórica da economia estadual em relação a setores tradicionais como o turismo e a agropecuária.
Fontes:
https://diariodorn.com.br/rn-fortalece-economia-verde-e-industrializacao-sustentavel
https://agorarn.com.br/ultimas/rn-mira-fronteira-para-novos-investimentos/


