Com Fátima Bezerra migrando ao Senado, Allyson Bezerra, Álvaro Dias e Cadu Xavier disputam a sucessão estadual em outubro.
Nunca o Rio Grande do Norte viveu uma eleição para governador tão aberta quanto a que se aproxima em outubro de 2026. Pela primeira vez em muitos anos, o pleito não conta com um candidato incumbente direto em busca da reeleição. A governadora Fátima Bezerra, que chegou ao quarto ano de seu segundo mandato, anunciou pré-candidatura ao Senado Federal, abrindo uma disputa de sucessão que mobiliza ao mesmo tempo os campos da esquerda, do centro e da direita. Três principais nomes se consolidaram no radar do eleitorado potiguar, cada um carregando uma trajetória distinta e uma base política própria. E ainda há duas vagas no Senado sendo disputadas, com uma lista de nomes que inclui senadores em exercício, ex-prefeitos e uma deputada federal de perfil nacional. Para quem quer entender o que está em jogo, este é o momento de mapear o tabuleiro.
Os candidatos ao governo e o que cada um representa
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, reunirá partidos como União Brasil, Progressistas, PSD, MDB e Solidariedade, sustentado pelo segundo maior colégio eleitoral do estado, que influencia toda a região Oeste, Costa Branca e Vale do Açu. Com uma carreira política que se construiu em menos de uma década mas sem uma derrota sequer nas urnas, tendo vencido a disputa para deputado estadual em 2018 e a prefeitura de Mossoró em 2020 e 2024, Allyson chega à corrida governamental como a força do interior potiguar. Pesquisas recentes do Instituto Metadata/Grupo Dial, divulgadas em junho de 2026 conforme registrado no portal 98 FM Natal, colocaram o prefeito de Mossoró em posição de liderança nas intenções de voto. Defato
Álvaro Dias, ex-prefeito de Natal, foi oficializado como candidato do PL ao governo do estado em evento na capital, no mesmo ato em que o senador Rogério Marinho, anteriormente cotado para a vaga, anunciou sua desistência da corrida ao Executivo estadual. A formalização do nome de Álvaro Dias pelo PL consolida a representação da direita na disputa. O ex-prefeito carrega o nome de uma família com longa tradição na política potiguar e tem como principal trunfo a base eleitoral da capital, onde exerceu dois mandatos à frente da prefeitura. Já pelo campo da esquerda, a candidatura de Cadu Xavier, secretário estadual da Fazenda, será sustentada pela federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, além do PSB e, possivelmente, o PDT, com a campanha tendo como meta central a eleição de Fátima Bezerra ao Senado. ExameDefato
O Senado, a outra disputa que ninguém pode ignorar
Se a corrida pelo governo já seria suficiente para manter analistas e eleitores atentos, a disputa pelas duas vagas no Senado acrescenta mais camadas de complexidade ao cenário eleitoral potiguar. O Rio Grande do Norte deverá eleger dois senadores nas eleições de 2026. Os mandatos de Styvenson Valentim e Zenaide Maia terminam em 2027, abrindo duas vagas na disputa deste ano, enquanto Rogério Marinho permanece no cargo até 2031. Com duas cadeiras em aberto simultaneamente, o senado potiguar está diante de uma das disputas mais competitivas de sua história recente. Exame
Styvenson Valentim, eleito em 2018 com bandeiras como o combate à corrupção, a fiscalização dos gastos públicos e a segurança pública, é senador em exercício e candidato à reeleição. Do outro lado, Fátima Bezerra, ao confirmar sua candidatura ao Senado após anunciar a saída do Executivo, entra na disputa com o peso institucional de quem governou o estado por oito anos e detém uma rede de apoio construída no campo progressista. Zenaide Maia, senadora em exercício pelo PSD, também aparece como forte candidata à renovação de mandato, conforme pesquisas do Instituto Agorasei/96FM divulgadas em junho de 2026. Exame
Por que essa eleição importa além das siglas
A eleição de outubro de 2026 no Rio Grande do Norte não se resume ao rearranjo de forças partidárias. Ela acontece num momento em que o estado vive uma virada econômica estrutural, com a consolidação da liderança em energia renovável, a chegada de projetos bilionários de hidrogênio verde e a necessidade de um governo que saiba negociar esses investimentos com critério e compromisso com o desenvolvimento regional. A escolha do próximo governador terá impacto direto sobre como o RN irá conduzir os megaprojetos que estão sendo desenhados para os próximos dez anos, incluindo o Projeto Morro Pintado, os parques eólicos offshore e a regulamentação do setor de hidrogênio.
Além do perfil econômico, a questão da segurança pública segue sendo um termômetro sensível do eleitorado potiguar. Acidentes de motocicleta no RN custam R$ 8 milhões ao SUS por ano, segundo dados da própria reportagem do portal Agora RN, revelando uma face da crise de segurança viária que afeta diretamente as finanças públicas e as famílias potiguares. Quem chegar ao palácio do governo terá pela frente uma agenda complexa que exige mais do que retórica eleitoral. O calendário eleitoral prevê a oficialização das candidaturas até 15 de agosto, com o primeiro turno em 4 de outubro e eventual segundo turno em 25 de outubro, conforme o Tribunal Superior Eleitoral (tse.jus.br). Agora RN
Fontes: Exame | Exame – Governador | De Fato | TSE


